Jornada nas Estrelas chega ao seu 11º filme, acredito que é uma das franquias de maior duração do cinema, só perdendo para a franquia 007. Uma das maiores curiosidades sobre a franquia é a de que todos os filmes impares são considerados ruins ou muito fracos, e que os pares são sempre os melhores, bom, esse mito começou a ser quebrado com o 10º filme, o fraquíssimo Nemesis, afinal, tivemos o excelente 8º filme (Primeiro Contato) e o correto 9ª filme (Insurreição).
Nemesis tinha tudo para ser bom, os Romulanos seriam os vilões da vez, com uma imponente mega-nave. Com um começo no alto comando Romulano de tirar o fôlego, o filme logo se perde e mostra-se um dos maiores fiáscos da série, sendo praticamente o responsável por afundar e desacreditar a série perante o público, sempre tão fiel.

Mas, eis que uma luz surge no fim do túnel, a Paramount, não contente com o rumo que tanto a franquia de filmes, quanto a de séries Trek estava se direcionando, resolveu de uma forma bastante corajosa mudar os produtores Rick Berman e Brannon Braga, uma decisão mais do que acertada, e colocaram J.J. Abrams, o criador de Alias, Lost e Fringe na direção, afinal, após comandar o ótimo Missão Impossível 3, J.J. não podia errar, certo? não foi o que os fãs xiitas acharam, e já começavam a falar que o filme seria um grande fracasso.
A cada novo anuncio da produção, os xiitas gemiam, gritavam e amaldiçoavam J.J. e o que ele estava fazendo com a mitologia e a cronologia (super confusa, diga-se de passagem) da série. Quando os primeiros nomes do elenco foram divulgados, mais chiadeira, quando Chris Pine foi escolhido para viver o mítico James T. Kirk, os xiitas chiaram (sic) novamente, afinal, até esse momento, quem era esse tal de Chris Pine? tirando algumas participações em ER, CSI: Miami, Six Feet Under e no filme Diário da Princessa 2, era praticamente um desconhecido, então, como ele poderia viver um dos maiores ícones da série? Foi divulgado então quem faria o Sr. Spock, Zachary Quinto, o Sylar de Heroes, mais chiaderia, afinal ele também era um outro grande desconhecido até explodir como o mutante.
Felizmente, quando as primeiras imagens de Quinto como Spocl surgiram, os fãs se acalmaram um pouco, pois era impressionante a sua semelhança com o Spock original, Leonard Nimoy, parecia até que Nimoy havia rejuvenescido, mas quanto a Chris Pine, a dúvida continuava.
Após todos os nomes divulgados, começou a expectativa sobre o filme em sí, pois novamente o filme colocaria os Romulanos como os vilões, mas felizmente, Eric Bana viveria o vilão principal, o terrível Nero, um ótimo ator para interpretá-lo.
Eric Bana como Nero
Infelizmente não pude ver o filme nos cinemas, quando fui atrás, duas semanas após a estréia, o mesmo havia sido retirado de cartaz, logo pensei que para sair assim tão rapidamente, só poderia ser muito ruim, mas mesmo assim, como um grande fã da franquia, afinal, cresci vendo Jornada nas Estrelas a tarde, na Globo, na Manchete, no Universal Channel e sempre aonde fosse exibida.
Passados alguns meses, finalmente pude ver o filme, e só posso dizer que o filme não é bom, é EXCELENTE! foram 2hs que passaram voando e que em muitos momentos me contagiaram completamente, e o que é mais impressionante, pela primeira vez, ao fim de um filme de ação, tive vontade de chorar de alegria com o que tinha acabado de ver.
J.J. acertou em tudo, o filme tem erros, claro que sim, todos os filmes tem, mas para mim, eles são insignificantes em relação ao restante da produção, só quem vai reclamar são os fãs mais conservadores, pois o novo Star Trek funciona como um ótimo reboot da série, que já mostrava sinais de cansaço. Esqueçam os falatórios e dramas pessoais quase intermináveis de outros filmes, o novo Jornada nas Estrelas é repleto de cenas de ação, e QUE CENAS, todas me faziam grudar os olhos cada vez mais e me sentir feliz com o que acabara de ver.
A nova NCC-1701
Quando a Enterprise nos é apresentada pela primeira vez, Kirk apenas diz “Uau”, e não somente ele, todos nós também ficamos maravilhados com a grandiosidade da nave, e nesse ponto, cabe um GRANDE elogio a equipe de efeitos especiais, pois pela primeira vez, podemos visualizar todo esse universo e acreditar que ele existe, é inegável que ao ver a Enterprise pela primeira vez, você acredite que ela é real. PALMAS PARA A EQUIPE, pois os efeitos especiais ficaram não menos que ESPETACULARES e pela primeira vez também, podemos vislumbrar toda a grandiosidade do interior da Enterprise, sem acharmos que ela é tão pequena quanto um submarino, muito pelo contrário, vemos que a tripulação é composta de milhares e não centenas ou dezenas de pessoas como nas séries ou filmes anteriores.
O gigantesco interior da Enterprise
O filme é focado mais na ação do que no falatório, a história é simples e não exige complexidade, nem entendimentos políticos ou o que seja para ser apreciada, mas tem coerêcia. Claro também que os fãs não foram esquecidos, existem muitas referências ao universo já criado, como a menção ao Almirante Archer, o Capitão Pike, o conflito entre Spock e Kirk, a amizade entre o capitão e o Dr. MacCoy, os jovens Sulu e Checov e a linda especialista em línguas (o que rende uma piadinha de Kirk), Uhura. Um dos pontos mais interessantes do filme é mostrar Spock com sentimentos, algo impensável até então, afinal, os vulcanos sempre foram-nos mostrados como seres sem o mínimo de sentimento, e essa é uma das grandes e gratas surpresas do filme, fazendo Spock um ser com sentimentos, ele fica mais próximo e ainda mais carismático para nós e nesse ponto, vale ressaltar a excepcional interpretação de Quinto.
Não somente ele, mas TODO o elenco é excelente, Bruce Greenwood vive um Capitão Pike com muita nobresa, Karl Urban e Simon Pegg nos fazem relembrar com saudosismo de DeForest Kelley e James Doohan, o Dr. MacCoy e o engenheiro Scott, da série clássica (Saudades deles), John Cho vive um novato e ainda inexperiente Sulu, mas já demonstrando suas qualidades vindouras, Anton Yelchin vive o russo Checov de forma magnífica, com um sotaque extreamamente carregado e sofrendo com os sistemas de reconhecimento de voz da Enterprise, dá maestria e brilhantismo ao personagem e Zoe Saldana vive uma Uhura de forma excelente também.
Um dos grandes pontos positivos do novo filme está no fato de nos mostrar uma nova faceta desse universo, até então, quando as naves entravam em dobra, era dado um efeito de esticamente nelas (Nova Geração, Deep Space Nine e Voyager), o que já era interessante, mas na série clássica, isso não existia (pelo menos até onte lembro), no novo filme, ao entrar em dobra, escutamos uma explosão e só vemos então o rastro deixado pelas naceles das mesmas, o que causa um efeito simples, mas muito interessante. Já fico imaginando como seriam os efeitos imaginados para as naves da Nova Geração e Voyager.
Outro ponto interessante está no momento em que os humanos estão no espaço, embora vejamos explosões, tudo fica em silência até existir atmosfera, reparem o efeito no momento em que eles saltam para a furadeira que está no planeta Vulcano. Até a maldição dos camisa-vermelha está lá.
Outra coisa muito boa foi o visual dos Romulanos, pois sabemos que eles e os Vulcanos tem a mesma descendência, mas em Nemesis e na séries, eles eram mostrados praticamente como drags, com roupas super enfeitadas e que só se diferenciavam dos Vulcanos por demonstrar emoções e por serem uma raçã guerreira, coisa que é mostrada no novo filme, mas agora, eles tem um visual diferenciado dos Vulcanos, o que de longe já nos faria enxergar as diferenças, e o figurino deles ficou muito bom também, mais um ponto positivo. Já fico imaginando como será o visual dos Klingons e Borgs na visão de J.J.
E o novo tema ficou muito bom também, muito antes do fim do filme, eu já o estava assobiando direto.
E, eis que chegamos a Chris Pine, que ao contrário do que era esperado, vive com maestria o Capitão Kirk, chegando a interpretar com perfeição vários trejeitos de William Shatner, reparem como no final, quando Kirk entra na ponte de comando da Enterprise, o seu jeito de andar e sentar, igual a Shatner.
Como um reboot de uma das maiores franquias do cinema, o novo Star Trek cumpre com maestria essa função, nos deixando anciosos por um novo filme.
Preparando-se para entra em dobra! ACIONAR!
E quando ao final, ouvimos do velho Spock a clássica narração, com o também clássico tema original:
“O espaço, a fronteira final.
Essas são as viagens
da nave estelar Enterprise…
…em sua missão para
a exploração de novos mundos…
…para pesquisar novas formas
de vida e novas civilizações.
Audaciosamente indo
onde ninguém jamais esteve.”
Temos a certeza de não estarmos vendo somente mais um filme da franquia, mas um recomeço, com chave de ouro desse excepcional e magnífico universo e temos a consciência de que, aonde estiverem no universo, Gene Roddenberry, Majel Barret, DeForest Kelley e James Doohan devem estar felizes com esse reboot.
VIDA LONGA E PRÓSPERA!
P.S. Fico imaginando o que teria sido da nova trilogia de Star Wars se George Lucas tivesse dado sua criação para DIRETORES com talento, afinal, Spielberg e Fincher queriam dirigir um dos filmes, mas Lucas não deixou, dai, tivemos aquelas bombas! EPICA FAIL Mr. Lucas.