Acabo de ver um dos filmes mais tristes em muito tempo, um filme carregado do início ao fim, pesado, um daqueles filmes que te fazem pensar por algum tempo: E se fosse comigo?
A história gira em torno de pai e filho tentando sobreviver em um mundo pós-apocalíptico, aonde não sabemos qual o motivo da destruição (guerra nuclear?), apenas que o mundo está morrendo, não vemos luz do sol, a fauna já foi extinta e a flora está morrendo aos poucos, e que os poucos sobreviventes apelam para o canibalismo.
Viajando para o sul com seu filho através de uma estrada, podemos ver toda a destruição causada, em uma recriação assustadora. O sentimento de isolamento de pai e filho são perfeitamente dimensionados, a tristeza do filme está em cada frame, cada minuto e os perigos também, pois eles nunca sabem se serão as próximas vítimas e mesmo quando encontram alguma outra pessoa, o medo e a desconfiança é crescente. Dado certo momento, é interessante ver uma propaganda inserida no filme, de um refrigerante, que o pai dá ao filho e esse pergunta “o que é isso?”, pois nunca vira ou tomara algo assim. Intercalado com alguns flashbacks, bem rápidos, podemos ver como de uma vida perfeita, com uma linda esposa, o personagem de Viggo encontra-se destruído ao longo do filme, triste e sem esperanças, carrega consigo uma arma com apenas duas balas, uma para ele e outra para seu filho.
Pai e filho
O pai, BRILHANTEMENTE interpretado por Viggo Mortensen, se entrega de corpo (literalmente) e alma ao papel desse homem completamente sem esperanças, pois além de tudo, sabe que em certo momento terá que deixar seu filme, e busca sempre ensiná-lo a viver nesse mundo sem leis. Sem combra de dúvidas, a não indicação de Viggo ao Oscar 2010 é uma das mais INJUSTAS possíveis, pois em nada ele nos lembra o corajoso e heróico Aragorn, de O Senhor dos Anéis. Sempre falando de forma rasteira, lenta e com uma rouquidão na voz.
Um excelente filme, ignorado pela academia e que vem sendo vendido de forma errada, o trailer nos dá a impressão de que o filme é de ação, quando NÃO é, é um drama de sci-fi, muitos o acharão lento, pois não existe ação durante seus 111 minutos, mas nunca é lento ou cansativo.
Um ótimo filme, com atuações impecáveis e com a aparição de dois atores que estão irreconhecíveis por conta da maquiagem.
Não perca A Estrada, afinal, “e se fosse comigo?”.
NOTA: 5 de 5